«Artur, o rei taciturno, e o segredo das origens»
Autor Carreto, Carlos F. Clamote
Título Artur, o rei taciturno, e o segredo das origens
Título revista/libro Sigila. Revue transdisciplinaire franco-portugaise sur le secret = Dire le secret / O segredo dito. Genèse / Génese
Año 1998
Volumen 1
Páginas 47-70
Resumen
Se existe um universo logocêntrico por excelência, um universo enraizado no pacto verbal e na eficácia da palavra, trata-se indubitavelmente do universo medieval. Os lugares comuns do imaginário e da tradição apresentam frequentemente Artur como o veículo e o garante deste logos. Por que motivo então os romances de Chrétien de Troyes se obstinam a representá-lo como um soberano taciturno, melancólico, «pensis» e «mu» ? Qual o in-confessável segredo desta personagem que, mal acaba de assumir os contornos do mito, parece vedar, logo a seguir, o acesso a uma verdade que o põe em causa e que, por conseguinte, vem também perturbar o gigantesco património narrativo ao qual, ironicamente, vai dar o nome? Que razões motivam, em profundidade, esta ruptura simbólica que a ficção incarna e denega ao mesmo tempo? Estes são alguns dos pontos que o artigo procura circunscrever através da confrontação dialógica entre a escrita elíptica de Chrétien e as revelações literalmente ob-(s)cenas dos textos em prosa posteriores, textos que, na sua busca de uma identidade sempre frágil, reflectem o desejo de reinscrever o Significado perdido num mundo de ficção que proclama assim incansável e dramaticamente a autenticidade do seu verbo fundador
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