Durante um almoço, que teve lugar em Murcia, na sequência de um Congresso sobre Afonso X, em Março de 1984, Carlos Alvar, Vicente Beltrán, Juan Manuel Cacho Blecua, Fernando Carmona e Mª Jesús Lacarra discutiram a necessidade de criar uma Associação que agrupasse os estudiosos das literaturas hispánicas medievais. A ideia expandiu-se entre alguns outros professores de diferentes Universidades espanholas que, ao longo de 1984 e inícios de 1985, mantiveram conversações informais em Barcelona e Madrid. Finalmente, na Primavera de 1985, Carlos Alvar, Lola Badia, Vicente Beltrán, Pedro Cátedra e Nicasio Salvador Miguel, numa reunião celebrada na Universidade Complutense, formalizaram este desiderato, criando a Associação Hispânica de Literatura Medieval (AHLM). Os fundadores decidiram oferecer a Presidência a Francisco Rico, quando se nomeou a primeira Junta Directiva, onde Carlos Alvar foi designado Secretário; sendo Vice-presidentes Vicente Beltrán, Pedro Cátedra e Nicásio Salvador.
De imediato, com o apoio de Manuel C. Díaz y Díaz e Ramón Lorenzo, teve lugar o Primeiro Congresso, em Santiago de Compostela, de 2 a 6 de Dezembro de 1985, patrocinado pela Xunta de Galicia, a cuja generosidade se deveu a publicação das Actas, em 1988. A organização deste colóquio coube a V. Beltran, X. L. Couceiro e J. M. Díaz de Bustamante. Entre os conferencistas, além dos dois beneméritos protectores da Associação, contaram-se alguns dos que se iriam converter em elementos destacados da mesma: F. Rico, A. Deyermond e V. Bertolucci. Surpreende, aliás, ao reparar na lista dos comunicantes daquele Congresso, a participação de muitos que depois colaborariam activamente na vida da AHLM como, por rigorosa ordem alfabética, C. Alvar, A. M. Álvarez Pellitero, L. Badia, R. Beltran, J. M. Cacho, J. M. Díaz de Bustamante, F. Gómez Redondo, Mª. Eugenia Lacarra, Mª. J. Lacarra, M. E. Lage Cotos, A. López Castro, P. Lorenzo, A. Montaner, A. Aires do Nascimento, J. Paredes, C. Parrilla, H. Sharrer, M. C. Tato ou M. Vaquero. Apesar de não constarem nas actas, estiveram também presentes M. Brea, E. Gonçalves, A. Ferrari, N. Salvador Miguel e P. Cátedra. Também nos acompanharam outros que já nos faltam (C. Flores e S. Moralejo e, claro, M. Díaz y Díaz). Que tempos aqueles! (evidentemente piores do que os de hoje), apesar de Jorge Manrique. Choveu como não costuma chover na Galiza: a jorros.
Àquele congresso seguiram-se os de Segóvia, presidido por N. Salvador Miguel (1987); Salamanca (1989), organizado por P. Cátedra; e Lisboa (1991), sob a direcção de A. Aires do Nascimento. Entretanto, desde 1987, surgiu o Boletín Bibliográfico, organizado por Gemma Avenoza, que se ocupou da sua composição e edição até 2003. A 1 de Abril de 1987, a Associação foi constituída perante o notário Antonio Linage, tendo, no entanto, que esperar até 29 de Julho de 1994 pela sua inscrição oficial. A vida associativa continuou a consolidar-se nos Congressos de Granada (1993) e de Alcalá de Henares (1995), presididos respectivamente por J. Paredes e C. Alvar e, durante este período, conseguiu-se publicar as Actas de todos estes Congressos, tendo sido alcançado o máximo de participações e a incorporação dos que hoje constituem os expoentes máximos do medievalismo hispânico.
Desde então, graças à integração progressiva de quantos, em Espanha ou no estrangeiro, constituem o núcleo mais activo da nossa especialidade e graças à elevadíssima presença de jovens investigadores e de estudiosos em formação, conseguiu-se que esta iniciativa, encetada há já mais de vinte anos, se tenha consolidado numa Associação de prestígio mundial para os estudos medievais. A normalidade é aborrecida, mas serena e, neste momento, a AHLM converteu-se no espaço de encontro inevitável para todos os estudiosos dos nossos campos de trabalho.
Em alguns momentos já pudemos celebrar efemérides com algum significado: um belo intuito, chegar ao décimo Congresso (Alicante, 2003), com uma magnífica organização chefiada por R. Alemany; chegar ao vigésimo Boletín (2007), constituiu uma formosa gesta, conseguida graças à tenacidade invejável de V. Beltrán e do seu grupo de colaboradores. Porém, entre Alcalá de Henares e Alicante, os Congressos da AHLM passaram também por Castellón (1997), Santander (1999) e A Coruña (2001), conduzidos por S. Fortuño, F. Rico e C. Parrilla; posteriormente, vieram os de León (2005) e Cáceres (2007), sob a direcção de A. López Castro e J. Grande Quejigo. Numa palavra, percorremos todos os pontos da Península Ibérica: da Meseta à Andaluzia, do Mediterrâneo ao Cantábrico e ao Atlântico. Para 2009, marcámos encontro em Valladolid, sob a tutela de Mª J. Díez Garretas.
Até ao momento, a AHLM tem sido presidida por F. Rico, M.A. Pérez Priego, C. Alvar e N. Salvador Miguel.